Retiro Inacianidade. Dia 12

11 – Inacianidade: busca da maior glória de Deus

Se a glória nos é revelada na existência e na harmonia do universo,

é para que nós reconheçamos a presença ativa de Deus no mundo

e ao mesmo tempo colaboremos com sua ação”

(F. Courel).

Outro traço da pessoa inaciana, que emana dos Exercícios, é o da “maior glória de Deus”, entendida à maneira de S. Irineu: “Gloria Dei vivens Homo” (a glória de Deus é o homem vivente).

Que todas as pessoas tenham vida! Quem tem esse carisma inaciano não busca o modo bom, mas o melhor, o que mais toca, o que mais muda, o que faz com que todas as pessoas tenham vida, e vida abundante.

A espiritualidade inaciana é uma espiritualidade da glória, da alegre certeza de que Deus triunfará.

Mas a nota característica de Inácio é de apresentar esta glória como “sempre maior”.

A fórmula “tudo para a maior glória de Deus” condensa toda a dinâmica interior do itinerário de sua vida, expressa sua atitude fundamental e motivação profunda de sua existência; ela é a meta para a qual Inácio orienta sua vida, o princípio inspirador de suas decisões, a que dá sentido à sua atividade apostólica.

A glória de Deus, buscada “em todas as coisas”, é a força interior que o impulsiona a realizar tanto as grandes empresas como os atos mais simples de cada dia. É a expressão última do dinamismo apostólico inaciano.

A mística inaciana é uma mística de retorno ao mundo e à ação apostólica. A pessoa inaciana é continuamente remetida à ação apostólica, à existência cristã. O serviço da glória é sua vocação, na Igreja e no mundo. Todas as suas energias, talentos, criatividade… deve estar a serviço da glória para a edificação do Reino.Portanto, a “maior glória” é um fim a perseguir, uma meta que ainda não foi realizada plenamente; ela é um apelo constante e princípio de discernimento para eleger o melhor e melhor contribuir na obra da Redenção.

Estar a serviço da glória de Deus significa, ao mesmo tempo, estar a serviço dos homens. Para Inácio, a “maior glória de Deus” é, com efeito, o critério proposto para verificar e julgar a qualidade de nosso serviço. Para isso, quem vive a inacianidade é alguém “excelente” em algum campo.

Não é que se queira classificar as pessoas, mas, deve haver uma excelência na pessoa – com o critério mais adequado para cada um. Excelência que não se mede nem segue parâmetros humanos, senão que se adquire ao sentir-se atraído por um Deus sempre maior.

Obviamente, a excelência fundamental é o “excedente de humanidade”: o que supera a norma, o comum, o que vai mais além do lícito, do razoável… e que se mostra numa atitude para com os outros e que se aproxima da incondicionalidade na acolhida.

Isto quer dizer que os leigos inacianos, saídos da contemplação do Reino, manifestarão uma espiritualidade de tipo ético e não tanto cultual.

Interessa-lhes encarregar-se “daquilo que é de Deus”, à maneira de Mt 25, no juízo das Nações.

As obras de justiça solidária são a avaliação fundamental da ação humana. Isto faz com que o “nome” de Deus seja reivindicado, fique bem inscrito na história.

E essa é a ação que atrai e seduz primordialmente. Isto envolve a destruição das falsas imagens de Deus e a oferta vivencial – a todos e da melhor maneira – do Deus que Jesus nos manifesta.

O que é de Deus” para o inaciano, está perpassado pela contemplação para alcançar Amor, onde tudo fala desse Deus que se entrega em todas as coisas e ao qual não resta outra coisa senão devolver-lhe tudo, comprometendo-se com Ele, da mesma maneira que faz “o amado com o amante” (EE. 231).

Por isso, o leigo inaciano tem que estar – física ou moralmente, com algum vínculo orgânico – numa obra de “ponta”, que de alguma maneira influa para fazer as coisas de outro modo, para servir melhor a mais pessoas, estruturalmente.

A pessoa inaciana não pode ser do comum, ainda que esteja no comum, ou seja, tem que distinguir-se porque realmente vive a busca da excelência, do magis, da maior glória de Deus, do bem mais universal… Ela é chamada a ser vanguarda na igreja e no mundo.

Textos bíblicos: Mt 25,31-46; Mt 14,13-21; Lc 10,25-37; Lc 16,19-31.


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