Retiro em tempo de distanciamento

13 – “Morar no silêncio”

Só na oração conhecemos que somos verdadeiramente… obras do Senhor”

(S. Teresa)

O silêncio nos é necessário para descobrir nossa personalidade original, e assim poder optar, a partir da liberdade, pelo lugar e missão que a cada um de nós nos corresponde na Criação.

O silêncio é a Luz que nos permitirá iluminar nossa missão e destino neste grande teatro do mundo. Dita Luz nos permitirá ser autores e atores de nosso projeto pessoal e protagonistas livres de nossas opções e metas a conseguir.

O ruído que nos rodeia não nos permite deter-nos um pouco para adquirir consciência de nós mesmos. O ruído nos marginaliza e nos aliena de nossa personalidade.

Dize-me como é teu silêncio e te direi tua realização pessoal”.

O silêncio é a autêntica máquina fotográfica que nos dá uma imagem exata de nossa personalidade.

A oração nos ajuda a esclarecer quem somos para nós mesmos, fazendo-nos enxergar além dos papéis que desempenhamos e daquilo que nos descreve, para uma dimensão mais profunda da condição de nosso ser.

Sem a oração, o ser humano não chega à verdade, nem descobre o seu nome (B. Haering).

O silêncio é, nesta sociedade atormentada pelo ruído, uma necessidade básica, para ver com claridade nosso projeto de vida e as opções melhores para realizá-lo.

O antídoto do ruído é o silêncio que mora fora da cidade, na natureza e no campo.

Aqui o silêncio é a grande emissora do Criador que constantemente está transmitindo mensagens e lições de vida de todos os seres da Criação.

O silêncio é a voz da Criação, que não podemos ouvir no ruído da cidade.

A partir do silêncio nascerá em nós a garra para construir na cidade um mundo melhor.

Morando no silêncio descobriremos que o Amor é a força maior que temos para construir o futuro e a nova sociedade.

O silêncio é necessário para ser pessoa.

No fundo, pois, da reconstrução humana está o silêncio como “aprofundamento”, o silêncio como “integração”, o silêncio como “cura”.

O silêncio estabiliza a pessoa; ele cria uma consciência estável, que determina e dirige todos os acontecimentos. O silêncio dá passagem a uma auto-condução.

Todo esforço da pessoa por silenciar será um esforço por “personalizar-se e abrir-se” para as fontes superiores de humanização.

O silêncio nos permite ter acesso à fonte de “todo o humano”.

O silêncio constrói a pessoa, abrindo-lhe o caminho para ela mesma e deixando-a finalmente frente à essência de ser pessoa: a subjetividade, a originalidade e a criatividade.

O silêncio é o que nos dá acesso a toda esta riqueza interior, que é nosso patrimônio.

O silêncio é a única possibilidade que temos para recobrar e reconstruir nosso rosto verdadeiro, diferente das máscaras que simplesmente representam o papel de homens e mulheres, mas sem consciência de si mesmos, sem ideias próprias e sem criatividade.

O silêncio, à medida que vai avançando, vai recuperando camadas mais profundas da própria pessoa, vai descobrindo, junto a uma visão mais genuína do que é uma pessoa de verdade, a dimensão religiosa.

Habitando no silêncio, a pessoa cresce para a dimensão de seu próprio centro e para o centro absoluto que é Deus.

Texto bíblico: Jo l,19-34.

. Fazer silêncio é sempre renascer para nossa verdadeira identidade, para nossas próprias profundezas.

. O ser humano é criado para tornar-se a “silenciosa morada” de Deus Pai, Filho e Espírito Santo.

. Fazer silêncio é, pois habitar a “casa do nosso coração” onde Deus sempre nos precede. Fazer silêncio é tornar-se presente a esta eterna presença espiritual de Deus.


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