Retiro “A arte de cuidar com resiliência”. Dia 28

21 – Resiliente
Lílian Maial

Desde que me entendo por gente, me considero uma pessoa otimista, positivista, bem resolvida, de bem com a vida, e inúmeros adjetivos que vieram se acumulando com os anos, em virtude da minha capacidade de ver o mundo e a vida com olhos poéticos. Lembro-me de um livro na infância que muito me marcou: Pollyanna, de Eleanor H. Porter, que talvez tenha sido o marco da minha decisão de ser inquebrável e transformadora, como a pequena heroína da história.
Costumo de dizer que sou como as palmeiras na tempestade, que se envergam ao máximo, quase tocando o chão, porém não se quebram, retornando à posição ereta e ainda balançando a cabeleira. Ou ainda uma camaleoa, com a capacidade de me modificar e me adaptar ao ambiente. Ou, quem sabe, uma lagartixa, que se regenera após um corte. Poeta que me sei, vejo-me algo como uma camatixeira (camaleoa, lagartixa e palmeira).
Porém, com a opção de meu filho de fazer engenharia, ganhei um novo e interessantíssimo adjetivo: resiliente. Não sei se apenas resiliente, ou uma palmeira resiliente, uma lagartixa resiliente, ou ainda uma camaleoa resiliente.
A resiliência é um termo da física, que se traduz pela capacidade dos materiais de resistirem a choques. Ela pode ser avaliada em termos de dureza (cujo diamante parece se destacar), tenacidade (capacidade de resistir ao rompimento – como o titânio), e resistência à corrosão (onde o aço é o ator principal).
Não que durante o fato desencadeador do trauma eu não me descabele, não sofra, não deprima, não chore e esperneie. Claro que sinto: sou humana! Contudo, algo dentro de mim se recusa a permanecer por muito tempo na condição de vítima, de frágil, de coitada. Algo dentro de mim se regenera, se ergue, se apara as arestas, se recompõe. Céus! Teria eu um alien resiliente por dentro?
Depois de ouvir meu filho e pesquisar sobre resiliência, cheguei à conclusão de que não há nada mais resiliente, no universo do meu conhecimento, que o ser humano. E que o mentor dessa resiliência é o imenso amor que se carrega por dentro (que alguns poderiam chamar deus), aliado a uma segurança e auto-estima, certamente conquistados a duras penas.
O amor dentro do peito é tanto, que não suporta, ou melhor, supera o sofrimento e a dor, a perda, a solidão, o fracasso. O amor é tão positivo, que suplanta a negatividade e a expulsa de seus domínios. Então vem o perdão (a mim e ao outro, que me causou dano), vem o alívio e a clareza. Daí a regeneração. Daí a absorção do impacto e a devolução da energia elasticamente de forma positiva. Por isso alguns dizem que sempre se sai fortalecido de uma pancada bem dada. É a resiliência, e a resiliência tem como mentor o amor por si e pela vida.
E é essa capacidade do individuo de garantir sua integridade, mesmo nos momentos mais críticos, que o torna insuperável por qualquer outro elemento da natureza.
Não posso afiançar se isso se trata de potencial genético, de relações familiares fortes na infância, de cultura ou tradição. Seja como for, não se é resiliente sozinho. Há bastidores no show do indivíduo resiliente, que pode ser um objetivo de vida, um amor, alguém da família, toda uma família. Não necessariamente apenas por apego. Talvez o resultado de apoio, de otimismo, de dedicação e amor, ideias e conceitos, que entram como intervenção e resultado.
O que sei é que o mundo precisa, mais do que nunca, dos resilientes, e que nós todos podemos fazer parte desse conceito.


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