retiro em tempo de distanciamento

28 – Silêncio, escola do olhar

Ama o silêncio

Entra para a sua escola. Ele é teu mestre.

Ele te ensinará a olhar o ícone de Jesus Cristo,

ele te ensinará a adaptar os olhos de teu coração a este rosto de Deus

que te revela teu próprio rosto e o rosto de todo ser humano.

Ama o silêncio.

Entra para a sua escola. Ele é teu mestre.

Ele te ensinará a olhar o rosto desfigurado de Jesus Cristo,

ele te ensinará a acomodar os olhos de teu coração a este rosto de Deus

que te olha com os olhos do homem faminto e torturado.

Ama o silêncio.

Entra para a sua escola. Ele é teu mestre.

Ele te ensinará a olhar o rosto transfigurado de Jesus Cristo,

ele te ensinará a acomodar os olhos de teu coração, para discernir,

no âmago da Criação, os reflexos da beleza do Criador;

para discernir, na espessura das coisas e dos seres,

sua verdadeira dimensão interior

e nos humildes gestos de todo ser criado, os traços de tua bondade.

Ama o silêncio.

Entra para a sua escola. Ele é teu mestre.

Ele te ensinará a olhar o rosto humano e divino de Jesus Cristo,

fonte e coroamento de nossa história.

Ele te ensinará a acomodar os olhos de teu coração

para discernir os traços de luz no fundo

de nossos impasses, os germes de eternidade na brevidade do presente,

e o devir ainda oculto de todo ser vivo.

Ama o silêncio.

Entra para a sua escola. Ele é teu mestre.

Ele te ensinará a olhar o verdadeiro rosto do homem e o rosto de Deus,

ele te dará este olhar interior da fé que ensina a olhar os homens,

suas alegrias e sofrimentos, seus desesperos e suas esperanças,

todos os grandes e pequenos eventos da vida,

com os olhos de Jesus Cristo.

Nossa Senhora do Silêncio

Nossa Senhora do silêncio,

confiando em tua maternal solicitude,

peço-te a graça do silêncio.

Nossa Senhora do silêncio,

tu que acolheste o poder do Espírito

para dar carne à Palavra de Deus,

concede-me o silêncio da humildade que permite ao Amor

encarnar-se em todos os gestos de minha vida,

sem de nada me apropriar.

Nossa Senhora do silêncio,

tu, que, no Natal, contemplaste o Menino de Belém,

concede-me o silêncio da fé que acolhe o imprevisível

e vê, em cada ser humano, a face de Deus.

Nossa Senhora do silêncio,

tu que, ao pé da Cruz, choraste a morte de teu Filho,

concede-me o silêncio da esperança que espera no devir de Deus,

e aguarda os frutos do grão de trigo que morre.

Nossa Senhora do silêncio,

tu que entraste, fascinada, na luz da Páscoa,

concede-me o silêncio da alegria pascal

que discerne, na trama do cotidiano,

os germes da primavera da ressurreição.

Nossa Senhora do silêncio,

tu que, com os apóstolos, rezaste para receber o Espírito Santo,

concede-me o silêncio da adoração

que se abre aos dons do Cristo vivo,

para testemunhar sua nova forma de Presença.

Nossa Senhora do silêncio,

tu que meditaste, em teu coração, todos os acontecimentos

de tua vida, dos felizes aos dolorosos,

concede-me o silêncio da vigilância que perscruta, na noite,

as passagens do Senhor.

Amém.


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