retiro em tempo de distanciamento

15 – O que é o silêncio

Silêncio é uma palavra mágica que em qualquer lugar onde você a encontre escrita chama a atenção e evoca uma atitude de cuidado: falar baixinho, quase sussurrando ao ouvido… Não fazer barulho, não gritar… Não fazer movimentos bruscos que possam provocar a ruptura de um clima de interioridade ou de intimidade.

A palavra silêncio não se coloca em qualquer lugar. Ela se encontra nos corredores dos hospitais, nas portas dos quartos onde alguém está doente. É exigido silêncio nas salas de aula, onde se quer aprender e ensinar.

Quando alguém fala para um público barulhento, alguém grita: “Silêncio, por favor”.

O silêncio está presente nas Igrejas, onde se quer permanecer na escuta de Alguém muito importante, que é Deus e que não costuma gritar nas praças!… O seu nome é Silêncio.

É nas portas de um quarto onde alguém está descansando após um longo dia de trabalho ou de uma viagem estafante.

O silêncio é provocado por grandes alegrias ou por grandes tristezas.

Diante da morte, prefere-se escolher o silêncio para manifestar a dor que se passa no coração.

Diante do nascimento de uma criança, a alegria é tão forte que se prefere permanecer em silêncio, contemplando o rosto de alguém que se abre à vida.

O silêncio não pode ser definido, mas pode ser descrito, narrado nas situações mais variadas da vida.

Saber “fazer silêncio” é uma arte que cada vez mais vai se perdendo… À medida em que se perdeu o gosto pela palavra, perde-se o gosto pelo silêncio. Silêncio e palavra caminham juntos… São inseparáveis!…

O silêncio entra calmamente na vida de quem se sente imbuído de grandes ideais: o silêncio é o útero onde se geram as grandes ideias; onde se escrevem os grandes romances, e se compõem as mais belas sinfonias.

Toda obra de arte é gerada no silêncio: antes de explodir no exterior, ela explodiu no íntimo do coração de alguém.”

Silêncio

Silêncio!… Ausência de tudo

Presença do Todo, que silenciosamente te envolve,

te abraça, te ama.

No silêncio do ser, dentro e fora de si,

Percebe-se o canto do amor, o borbulhar da Água Viva

A carícia da ternura eterna sem fim.

Silêncio!… Não deixar nada perturbar a paz presente,

Os sonhos futuros,

Que vivem no fundo sem fundo do coração.

É no silêncio que se olha sem medo e com medo,

É sentir que o outro é silêncio que nasce, que grita

Na busca do seu lugar na história que se faz…

É no silêncio que o medo é vencido, derrotado,

Fazendo surgir o Amor…

Silêncio!… Ausência de palavras

Presença da Palavra

Gerada no Silêncio-Deus

Que se faz carne para vencer o silêncio do mal

Ensinando a escutar o silêncio do bem…

Frei Patrício Sciadini


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